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SUJEITO DA AÇÃO

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SUJEITO DA AÇÃO “Quando eu era um garoto, mandavam que eu fizesse o que meus pais queriam. Quando me tornei um pai, passaram a mandar que eu fizesse o que meus filhos queriam. Quando é que vão me deixar fazer o que eu quero?” Começo com essa citação do humorista americano Sam Levenson, para dizer que hoje após 06 anos de Parkinson começo a sofrer as primeiras restrições que não posso fazer isso e aquilo, e começa com a Primeira Dama, pelas minhas três filhas, e chega até meu filho que mora há 530 km e vem a nora, genro  e incrível até meu neto de 06 anos disse que não podia subir a escada  porque era duro e tremia, referindo a rigidez e ao tremor. O que mais me preocupa é que a secretaria que me atendia em tudo que pedia, agora começa a alegar que a minha esposa não quer que eu como isso ou aquilo, o Senhor não pode fazer isso, isso e isso, previamente tudo determinado, Gerando minha primeira perda de autoridade dentro de casa.  E como a doença, a postura da família é também progres…

RESPIRAR PARA A VIDA

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RESPIRAR PARA A VIDA              No decorrer do mês em curso, participei como paciente de Parkinson das oficinas sobre Terapia Respiratória com alunos e professores do curso de fisioterapeutas da UFRN.          Foi para mim o mais surpreendente resultado ao longo da minha doença de Parkinson. Isto porque sempre tive problemas com a minha respiração de tal maneira que não sabia mais discernir a parte psicológica da parte patológica.        Venho a 08 anos lutando com esse trauma que já virou drama, passou a ter os requintes de filme de suspense e até mesmo de pânico; uma ou duas vezes me perpassou as mais mirabolantes cenas de filmes com essas características. Vivia com medo de acontecer a coisa, era assim que chamava meus engasgos que não eram propriamente engasgos convencionalmente chamados. 
          Era mais uma coisa mesmo, que parecia com uma pessoa engasgada supostamente proveniente do refluxo. Mas acontecia também sem matéria. Fato que me deixava angustiado. Tinha medo de respir…

JURAMENTO

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Quando uma pessoa pede algo a alguém fica na expectativa de ser atendido, além evidentemente de ter sido humilde em perguntar o que não sabia, ou não tinha condições físicas de fazer.
Essa é uma situação quase que permanente e progressiva no dia a dia do parkinsoniano. Como a doença é progressiva e degenerativa o problema da incapacidade do fazer, só faz aumentar, ou seja, a cada dia aumenta a dificuldade de vestir uma camisa, calçar um sapato e outras atividades no cotidiano da vida caseira. A evolução dessa atividade acontece no mínimo 03 a 04 vezes ao dia, exigindo assim do parkinsoniano ajuda para cumprir as tarefas por mais simplórias que sejam. Para o parkinsoniano é sempre um dilema acrescido de sucessivas repetições sem melhoria provocando os transtornos em si, nas famílias e amigos.  O fato nos conduz há dois valores básicos na vida humana; “Pedir” e “Servir” que podem construir ou destruir uma relação entre pessoas que esquecem o valor de servir, ou muito pior, ac…

RETORNANDO COMO A AGUIA

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Retorno com alegria a escrever minhas crônicas após uma pausa de mais de 60 dias o que significa uma ausência de no mínimo umas 10 crônicas.  Digo isto porque em minha concepção os fatos em si não representa muita coisa, isolados, ficam vazios do sentido que provocou. Dai resulta a necessidade de a ausência ser esclarecida. O devolutivo da minha explicação é que gera o restabelecimento da confiança e do real significado da minha ausência.  Assim sendo lá vão os fatos que provocaram a falta das crônicas. 
Primeiramente foram de duas naturezas: endógenas e exógenas e em ambas a presença da alegria e da tristeza, do bem e do mal, do bom e do ruim, presentes com amarguras e glorias vitória e derrotas numa sucessão de acontecimentos como crise de Parkinson, pre-depresao, estrese, prevalecendo muitas vezes entre um e outro os bons e ate maravilhosos fatos nos lembrando de que o ser e não ser geram-se mutuamente, dai a morte e a vida também presente neste escasso espaço de tempo, onde só o te…

QUARTO DE DORMIR

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Q uero escrever hoje sobre meu território, que compreende o espaço em que moro em minha casa. Mais especificamente, meu quarto. Com toda a velocidade em que as coisas estão acontecendo transformando o mundo,  estou no quarto. É nele que passo o a maior parte dos dias e somado sábados e domingos representa, talvez, 60 % do meu tempo, e no futuro a ordem crescente de 70, 80, 90%, acompanhará a ordem progressiva da doença.  É um quarto bem razoável sem luxo, mais com o básico necessário para acomodar-me e tem o imprescindível acalento da família e o aconchego do lar. Esse tempo em questão,  por vezes, é dividido com o escritório. Vizinho ao meu quarto, onde rezo, escrevo meus contos e minhas crônicas; onde choro, grito, um grito endógeno, onde me desespero. Onde refaço tudo e transformo em alegria. Desprendo-me tanto que consigo por alguns instantes  esquecer que tenho Parkinson.  Dai resulta toda essas sucessivas reações umas contra o meu corpo, outras contra a minha alma.
O desafio é gra…

Pensando na vida Parkinsoniana

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A POSSIBILIDADE DA CURA II

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A POSSIBILIDADE DA CURA II
U ma vertente da literatura cientifica contemporânea esta formando um acervo para fins de pesquisa das doenças neurológicas que vem quebrando todos os meus paradigmas da cura do Parkinson como também de outras demais doenças neurológicas. Essas leituras me levaram a escrever a crônica “O Prazer Literário: A Possibilidade da Cura”. Também me remeteu a escrever um paragrafo em que minha criatividade vai além da ficção, numa viagem a estrela mais próxima da terra, onde extrapolo a transfiguração da metáfora do Evangelho, pondo James Parkinson e Jean Marie Chacort, em uma gigantesca estrela, em formato de neurônios em busca da região nicro do cérebro, visando descobrir como acontece o processo da degeneratividade progressiva das dopaminas. Hoje tento explicar o que escrevi ontem nessa viagem tão confusa as estrelas, mais eivada de alegria e perspectivas de felicidade futura, sem sair de casa, apenas lendo, e a cada livro lido numa sequencia contingencial complement…

A Possibilidade da Cura

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Prazer Literário: A Possibilidade da Cura
“Se há vários remédios receitados para a mesma doença, podem estar certos de que a doença não tem cura.” Uma afirmação de Anton Tchekhov, infelizmente verdadeira para a Doença do Parkinson. “É uma frase pequena mais chocante para nós parkinsoniano, desesperadora, para quem vive estimulado por antigos refrões como: ‘ quem espera sempre alcança” “a esperança é a ultima que morre.” Ler afirmações de natureza pessimistas provoca uma inversão de valores e o que era antes esperança, torna-se chacota nas conversas informais, provocando uma total reviravolta na alma acolhedora da fé. O que mais me intriga é ler o que já sabia e ter de acreditar no que já sei.  O pior de tudo é ter de escutar também o que voce não quer ouvir; pessimismo exagerado dos que são totalmente incrédulos, que já perderam há muito a esperança. É duro também ter que aceitar o fato de que quando mais refuto a frase de Tchekhov, mais tenho que acatar os insultos dos desesperados. I…